Fartei-me. O Microfone fica para os parvalhões da televisão e eu mudo-me para uma nova tasca.

Se quiserem continuar a ler porcaria com a música como fundo vão a:

Não há sítio para ir, mudei-me para outro tipo de blogues e literatura de parede e revistas de poesia, vocês descobrem-me, vou andar por aí.

Um destes dias numa conversa na internet, porque ultimamente não tenho conversado com muita gente sem ser dessa forma, um companheiro mostrou-me um artigo de um desses estudiosos que profetizava o fim dos críticos musicais devido ao aparecimento dos blogues e de, cada vez mais, haverem mais pessoas a escrever sobre música e a criticar discos e concertos. Eu disse que achava isso muito bom porque permitia uma maior pluralidade de opiniões e de estilos. A resposta foi que preferia a opinião dos grandes nomes, das grandes revistas, dos que realmente sabem do que falam. Não quis continuar a argumentar, porque respeito as opiniões diferentes das minhas, mas sobretudo porque achei que iria dar um bom tema para um texto, quando me apetecesse escrever e não tivesse nada para dizer.

Pois bem, os críticos musicais, os grandes nomes, são uma fraude. Não passam de um bando de aves raras que se copiam umas às outras, e que criticam sempre as mesmas bandas, os mesmos discos e os mesmos concertos. Compreendo que antigamente se fizesse isso, até porque não eram muitas as bandas que conseguiam sair do buraco e menos eram as pessoas que conseguiam entrar no buraco, mas hoje é diferente, o buraco é comum estão todos lá, bandas, críticos, público, tudo misturado. Porque é que não podem falar todos uns dos outrso? Músicos criticarem críticos, público criticar músicos e críticos, críticos e público tornarem-se músicos, etc, etc. Porque é que têm de ser sempre os mesmos gajos a falar das mesmas bandas, da mesma forma? Os mesmos programas de rádio e de televisão, com as mesmas bandas e as mesmas opiniões?

Eu sou pela diversidade. Façam blogues, podcasts, coloquem vídeos no youtube e deixa a coisa agir. Tal como na natureza, na internet o princípio é o mesmo, só os mais fortes acabam por sobreviver, mas nesta fase é importante diversificar. Aproveitem enquanto há liberdade e a regulamentação é pouca ou nenhuma. Mudem a vossa forma de pensar que só pensa no lucro “se vou escrever tenho que ganhar algum dinheiro ou algum bem material ou alguma entrada em algum sítio com isso”, esqueçam isso e escrevam pelo simples prazer que isso vos dá.

E façam-no da seguinte forma:

Escrevam sobre o que vos apetecer, o que se lembrarem, quando vos apetecer.

Não copiem o que está feito, o que o outro diz ou a forma como diz.

Façam-no com 99% de sentimento e 1% de Razão.

Falem das bandas que gostam realmente, não das que o vosso amigo gosta ou das que estão na moda. Não interessa se são boas ou más para os outros, digam o que são e porque o são para vocês. Se gostarem delas só porque o vocalista tem umas calças azuis então digam isso, o que é que interessa a música afinal? Eu gosto de mulheres de olhos verdes. Quero lá saber se são empregadas de limpeza ou juízas…

Sim, senhores críticos, sou um alvo a bater, é pena que não tenham capacidade para o fazer.

Beijos.

Os portugueses são conhecidos em grande parte do mundo pelo seu chico-espertismo que faz com que nos olhem de lado fora das nossas fronteiras, antigamente as coisas não se sabiam de um momento para o outro, levavam anos a descobrirem-se e outras nem se sabiam, mas neste mundo globalizado, com redes sociais transversais e abertas a todos os estratos sociais, económicos e intelectuais e muito fácil descobrirem-se as “carecas”.

Aqui vos deixo a mensagem que “apanhei” numa dessas redes sociais, o Myspace, pela mão do senhor Jake Cavaliere, vocalista da banda Lords Of Altamont, um belo exemplo do chico-espertismo nacional.

“Shame on Portugal

Not all of Portugal…

I’m not interested in blogs, nor should you be in mine. But, musicians should know about this giant welching pussy that ripped off the Lords of Altamont.

We work hard and get paid jack on tour. When someone makes an offer for a band to come to town and perform you’d expect to be paid. Well, this guy named Luis asked the Lords to perform at a club in Portugal for his birthday. He and his so called “Spear Agency” contacted our agent in France to put the night together! We all agreed to a meek amount and a contract was drawn up as usual. Bottom line this loser never paid The Lords, and every musician that tours needs to know this guy Luis is a poor business man. This guy doesn’t care what he has done to people that actually rely on the income of the tour. You don’t see us driving new cars! Please everyone put the word out on this guy, and his so called Spear Agency that he is a piece! Don’t book a show with him, and don’t go to his crappy shows!

LUIS, and THE SPEAR AGENCY SUCKS! Happy birthday dick!

By the way, everyone in Porto rules!

Jake”

Para quem não percebe inglês (deviam aprender) aqui fica uma tradução livre:

“Vergonha em Portugal

Não em todo o Portugal…

Não estou interessado em blogues nem vocês devem estar no meu. Mas, os músicos devem ficar a conhecer este grande monte de merda que trapaçou os Lords Of Altamont.

Nós trabalhamos no duro e somos pagos por isso nas tournés. Quando alguém faz uma oferta a uma banda para ir tocar à sua terra nós esperamos ser pagos por isso. Bem, este gajo chamado Luis pediu aos Lords para irem tocar a um bar em Portugal no dia do seu aniversário. Contactou o nosso agente em França através de uma tal “Spear Agency” para acertarem as coisas! Acertamos o cachet e o contrato foi acordado como é costume. Apesar disso este merdas não pagou aos Lords, e todos os músicos que fazem tournés devem saber que este Luis é um homem de negócios falhado. Este gajo não quer saber do que fez às pessoas que realmente confiavam nos rendimentos da tourné. Vocês não nos veem conduzir carros novos! Por favor denunciem este gajo e a agência Spear Agency, da qual ele faz parte! Não agendem concertos com ele nem vão aos concertos de merda que ele organiza!

LUIS e a SPEAR AGENCY SÃO UMA TRETA! Parabéns caralho!

Já agora, o pessoal do porto é o maior!

Jake”

Cada vez sinto mais orgulho em ser português, vocês não?

A resposta é fácil, basta procurar no Google e vão descobrir que foi Emile Berliner. Eu também não fazia ideia e foi isso que fiz, mas a questão é outra. O Microfone, este Microfone, estava desligado desde Setembro e deveria continuar até ao final de Dezembro, mas ligo-o agora porque estou farto que me perguntem se este Microfone acabou e se transformou num programa de televisão ou pelo menos de teleinternet se é que lhe posso chamar isso. A resposta é não. O Microfone é este blogue e é também uma curta rubrica quinzenal no programa Sinfonias de Aço da Rádio Barcelos.

O que originou esta pergunta foi o surgimento de um outro Microfone que diz querer divulgar novas bandas portuguesas. Eu não tenho nada a ver com esse Microfone e não quero divulgar novas bandas portuguesas.

O Microfone, este Microfone em que escrevo é um acto de egoísmo e masturbação escrita do ego. Não quero saber de divulgação de bandas nenhumas, se falo de bandas, discos, concertos ou seja lá o que for é porque gosto ou porque não gosto. Não sou nem faço parte de nenhuma empresa de divulgação, nem tão pouco isto é jornalismo de “qualidade” como esse que se faz nas revistas musicais portuguesas, como este exemplo.

Isto é gonzo journalism do mais puro e duro, e se se derem ao trabalho de olhar para o título do blogue vão ver que isso está lá assinalado, se também não sabem o que é procurem no Google que ele explica-vos.

Quanto às bandas toquem por aí, ganhem dinheiro e prémios, mas não me fodam a cabeça, sobretudo se forem gordos, gritarem ya ya ya ya sob uma trilha sonora muito próxima do trucatrapumcatrapumcatrapum e se chamarem Buraka Som Sistema.

Não sabem do que estou a falar? Estou a falar destas declarações desses nabos à agência Lusa:

“Os portugueses têm que perceber que têm mesmo que votar. Como é que é possível que Moscovo, [onde] a Internet é a 22k, tenha mais votos do que nós? É triste. O pessoal é preguiçoso. Depois querem ver-nos na televisão a fazer coisas bonitas. Mas pronto, muito obrigada pelos votos que tivemos”.

Bem, conseguiram que abandonasse a pornografia por uns momentos para escrever isto e que quebrasse o silêncio, agora aguentem!

O Microfone vai desligar-se, a partir de hoje, por um período de três meses, devido a motivos profissionais. Volta a ligar-se em Dezembro.

Até breve.

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